EDMOND FORTIER – VIAGEM A TIMBUKTU

25/11/2015 -

Instituto Tomie Ohtake em São Paulo.

Exposição de cartões postais publicados no livro de Daniela Moreau • Instituto Tomie Ohtake em São Paulo.

EDMOND FORTIER (1862-1928) foi um fotógrafo excepcional, nascido na Alsácia e cidadão de Dakar, no Senegal, por opção. Foi lá, na extremidade ocidental do continente africano, que viveu a maior parte de sua vida. Sua imensa obra – mais de 3.500 imagens catalogadas retratando a África do Oeste – não havia sido até agora estudada de forma meticulosa.

Neste livro, Daniela Moreau concentra-se num recorte notável da produçãode Fortier: as imagens da viagem de mais de 5.000 quilômetros que o fotógrafo realizou pelo interior do continente africano no ano de 1906, numa época em que a imposição dos regimes coloniais era relativamente recente. O ponto culminante do trajeto foi a cidade histórica de Timbuktu, porta do Saara, então considerada misteriosa e impenetrável pelos europeus.

Fortier captou imagens preciosas da vida de pessoas comuns, de paisagens e manifestações culturais cujo registro ele foi o primeiro a fazer. Documentou o que logo em seguida desapareceria para sempre, como as ruínas da antiga mesquita de Djenné, e o que estava em seus momentos iniciais, como os modernos aspectos urbanos de Bamako e de Conakry. Editada na forma de cartões-postais, essa esplêndida série de fotografias circulou pelo mundo durante as primeiras décadas do século xx. A construção do Outro africano como objeto visual dava então seus primeiros passos.

Mais de cem anos após os eventos, 200 fotografias da viagem de Fortier estão aqui reunidas pela primeira vez. Resgatadas do esquecimento, organizadas e comentadas pela autora, elas nos aproximam da vida cotidiana na África do Oeste no período colonial.

SOBRE A AUTORA

Daniela Moreau é historiadora (USP) e mestre em Ciência Política (UNICAMP). Desde 1995 tem feito viagens de pesquisa no continente africano, principalmente na região do Sahel. Vive e trabalha em São Paulo, onde fundou e coordenou por dez anos a Casa das Áfricas. Dirige atualmente o Acervo África, programa que disponibiliza para pesquisa uma coleção de mais de 1.500 peças da cultura material africana contemporânea.